segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Free Bicho

Abri a gaiola, e quase todos os pássaros voaram para fora dela...mas um, ficou!
Sai! Grunhi-lhe.
Não saiu! Insisti e chilreei...nada, nem um movimento!
Tirei a gaiola em volta... Toquei-lhe. Ainda assim não quis voar.
Sussurrei-lhe ao ouvido um grunhido de liberdade. Levantou o Bico, cantou como se chorasse, bateu asas sem sair do sitio!
Olhou-me fixamente, primeiro com um olho, depois com o outro, virou as costas e voou até a janela. Lá ficou ate avistar outros pássaros. Olhou novamente para mim. Baixou o bico e num pulo iniciou o seu voo.

Fiquei a pensar, como é que até à data não tinha distinguido aquele pássaro dos outros? Era apenas a gaiola dos passarinhos...desde que tivessem comida, água,  meia dúzia de Grunhidos carinhosos por dia... Era toda atenção que lhes dava.

E ali estava, aquele pássaro, para quem a minha quase indiferença foi diferente.
Conheci o finalmente no último dia!
Tão orgulhoso fiquei.

Bicho

sábado, 25 de dezembro de 2010

Bicho Feito Homem

Finalmente o Bicho apareceu!
Chegou com ar desapontado, não cumprimentou ninguém, e foi directo ao quadro de comunicação enquanto me puxava o braço.
Escreveu rapidamente, temos que falar! Fiquei um pouco assustado, esteve ausente todo este tempo, chega afogueado de ar cabisbaixo mas de olhar decidido... estranha combinação! Como pode um Bicho comunicar tantos sentimentos apenas com a expressão.

Tantas vezes lhe perguntei sobre as suas ausências nunca obtive resposta e desta vez chega a querer falar...  Perguntei-lhe de imediato o que se tinha passado, quis apesar da sua vontade de falar, manifestar o meu interesse pelo sucedido.
Levantou as costas, respirou fundo, esticou os ombros, está enorme... o Bicho cresceu! De cima, os seus olhos olharam profundamente nos meus, senti mudança no Bicho.

Virou-se para o quadro e escreveu, Chegou a hora! Desta vez, chegou a hora. Vou escrever de forma a que possas compreender enquanto Homem. Assim que acabei de ler em voz alta, olhei-lhe o focinho e  uma lágrima escorria-lhe pelo sorriso.

Pegou novamente na caneta colocou a pata no meu ombro, grunhiu um grunhido que não compreendi, entre a dor e a felicidade, e escreveu, Vai, é longo, chamo-te já!

Quando voltei ao meu quarto, o Bicho estava sentado a mirar o mar e o horizonte. O quadro repleto de palavras, aproximei-me a sentir um nervoso na barriga e comecei a ler.

"A verdade e a sinceridade são difíceis de alcançar nos Homens, aprendi que a minha espécie difere nesse aspecto muito de vocês. Comunicamos por dentro, entre uns e outros, sem escapatória para a mentira.

EU, Bicho, apaixonei-me por uma Humana, ser que apenas consigo ler o coração, e apesar da leitura ser algo turva... existe uma incógnita que me puxa, que me leva, para lá da verdade, para lá do alcançável... Todas estas ultimas ausências foram períodos em que estive com ela. Nunca te contei Ibrahim, pois tinha receio da tua reacção, tu, que sempre me protegeste de todas as coisas, assumi, com medo, que irias procurar afastar-me ou impossibilitar essa relação, porque o amor as vezes tem destas coisas. Quando se é pai, como tu o és para mim, julgarmos-nos com capacidade de avaliação do que será melhor para os nossos.
 Uma relação entre Bicho e Humana, não iria resultar, conheces-te, conheces o teu ser, conheces os Humanos, a forma como reagem, como não se inibem de magoar, como tem essa estranha capacidade de transformar o Belo em Feio...

Contudo, com ela, nos momentos que vivi, julguei encontrar a essência e a razão da vida. De tal forma foi crescendo esse amor, que quanto mais amava maior era o medo pela sua perda, e maior era a minha mentira... mesmo sem falta de verdade.
Anulava em mim esse sentimento enquanto partilhava o tempo contigo, e sentias a minha dor, é o que amor gere na falta.
Como sabes a minha espécie, não sente ódio e o amor é um sentimento sem fim, e sentia mesmo na dor a felicidade de existir em mim amor. Ainda o Sinto.

Compreendi, agora a razão de crescer, de nos encontrarmos frente a frente com as nossas decisões e escolher toma-las, sem olhar para trás, com a confiança de quem se lidera, não sou mais o teu Bicho. Sou o Bicho sempre teu por minha entrega.
Serei sempre verdadeiro com o Bicho que sou.
Nem de outra forma consigo ser.

E agora sigo.

Chegou a Hora, daqui para a frente Caminharei sozinho."

Coloquei-me atrás da cadeira em que ele estava sentado, mirei o mar. Coloquei a mão no sem ombro e pensei, Chegou a Hora, sou pai de um Bicho Grande.

Ibrahim

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Onde andas Bicho?

O meu Bicho, escreveu no quadro: Preciso de uns dias...

Não é a primeira vez que o faz, desaparece durante um tempo.
A primeira vez que o fez assumi que tivesse a ver com um período de reprodução ou algo do género, mas mais tarde, vim a compreender que a espécie do Bicho, é como os Homens, aja vontade e é período!

Um dia destes, e deve estar quase, aparece por aí!
Nunca duvidei que voltasse, nem que volta desta vez, até pode chegar o dia em que queira ir de vez mas quando acontecer, sei que o dirá.

Curiosamente e por muito que lhe tenha perguntado nunca me contou exactamente por onde andou ou o que fez nesses momentos de ausência. Já há muito que não lhe pergunto, respeito o seu espaço.

Faz me falta o Bicho, o quadro de mensagens vazio, as frases surrealistas que nem sempre compreendo, a visão simples e clara deste mundo de Homens que só uma espécie à parte consegue compreender...

Tenho saudades tuas Bicho
Onde andas Bicho?

Ibrahim

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Bichyssoise

Vou vos contar um dos meus lados negros.
As vezes apanho um humano, daqueles que vivem sem coração.
Apanho-os e como-lhes a cabeça...

Adoro Bichyssoise


Bicho

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sincroniza Bicho

Apesar da minha qualidade de bicho, creio que partilho algumas das experiências com seres humanos, talvez por viver rodeado deles.
Conhecem a sensação de não estarmos sincronizados com o Mundo. Como se os acontecimentos que vivemos andassem sempre à frente ou atrás das nossas expectativas.

 Estou dessincronizado.

E de repente, uma visão, uma paz tranquilizadora, como se universo usa -sse esse momento para acertar as agulhas. Um simples sorriso, um olá de paz e esperança. Quando o amor escurecido pela doença, é curado, limpo, novamente puro.

Obrigado pela vacina.

Vou incomodar o Ibrahim com os meus Grunhidos de Felicidade!

Bicho

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Biching Good

Como Bicho fico contente quando dos meus erros acontece o correcto.
Nem sempre é fácil compreender o que nos prende a uma situação, qual a nossa dificuldade em ultrapassar certa barreira. Mas eis que caída do céu aproxima-se a verdade. A verdade, não está nas palavras nem nos sentimentos está nos actos.

 Eis o Acto da Verdade!
E lá vem ele, o acto, o detentor da verdade, todo soberbão. Aos gritos, porque a verdade não esconde nem fala baixo, Eu sou o Acto da Verdade.

 ( Obrigado Ibrahim, estou a gostar.)

Ó Tu Acto da Verdade, que procuras?

Eu não procuro, eu sou possuidor da Verdade e do conhecimento da Mentira.

Não pode ser, Acto! A mentira está sempre nas palavras! Tu és Acto!

Eu sei, mas a palavra em si é um Acto e eu sei sempre, enquanto Acto da Verdade, onde está a palavra da mentira. Percebes Bicho?

Compreendo perfeitamente... que hoje, eu sou Acto!

Bicho

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

To Bicho, or not to Bicho

O meu Bicho é de facto algo extraordinário. Tem uma crença inabalável no amor. A verdade é que não tem que se preocupar com as razões do quotidiano. Aquelas razões que nos fazem duvidar de tudo, inclusive nos sentimentos.

Ainda ontem escreveu. Sou feliz porque Amo.
Perguntei-lhe, ai sim, e então quem amas tu?
O meu Amor, respondeu.
Continuei. E então o teu amor, ama-te?
Encolheu os largos ombros, sorriu e escreveu: Sou Feliz porque Amo.

Dei-lhe a mão e fomos caminhar Juntos.

Ibrahim