Achei curiosa a forma como ela largava as flores no mar...
Saltei entre os penedos e fui ter com ela.
Olhou-me! De olhar húmido e sorridente disse-me: "Olá! Um Bicho, já vos vi muitas vezes mas nunca falei com vocês!"
Sorri, abri os braços enquanto me esticava e larguei um sonoro grunhido de Olá.
Aninhei-me novamente na rocha a observa-la.
"Pela tua cara Bicho, imagino que queiras saber o que estou a fazer..."
Confirmei com a expressão!
"Ah! estou a libertar os meus amores... Amar não se condiciona... Amar é libertar para além de nós... A felicidade do outro é a verdadeira felicidade... As flores são como os meus amores, livres no oceano...
Eu estarei na costa, algumas delas voltarão para mim, outras não!
Amarei todas, mesmo as que não retornarem..."
Nesse momento o seu corpo, a sua expressão, o cabelo no vento, a sua voz ganhou uma dimensão para além do real, senti-a! Vivi-a! Tal como um Bicho.
Ela sentiu também...
Bicho
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Caminhou apenas...
Caminhava de forma errante um homem, lá no parque...
Senti que me devia aproximar, mas ao fazê-lo, vi como a sua expressão mudava rapidamente entre o riso e o choro. No sorriso, abria o peito, o seu olhar brilhava, alargava os passos e levantava a cabeça, observava a vida à sua volta. Um ser pleno de confiança, o caminho traçado era um objectivo alcançado a cada passo. Chegava mesmo a gargalhar com o canto dos pássaros...
Mas logo abrandava...
O queixo caía. As pedras do caminho ficavam penedos cujos pés subiam em dificuldade. Os passos rectilineamente decididos criavam agora curvas trôpegas, sem sentido, sem definição...
Fiquei um pouco assustado, com tamanha disparidade de sentimentos.
Falava, por vezes sozinho, por vezes como se estivesse a falar com alguém...
Alguém não visível...
"Não me apaixonei por ti...
Apaixonei-me! Isso sim!
Mas por outra pessoa, uma pessoa que...
Em boa verdade... Julguei mesmo que fosses tu!
Mas não eras, não era!
Aliás, nunca chegou a ser!
Fui eu que a criei! O amor tem este efeito sonhador... Obriga-nos a imaginar, cria vontade de futuro! E o futuro, só se vive imaginando!
O presente não era! Por isso, eu....
Eu imaginei-te!
Criei um ser de ti, fora de ti...
Não vivia o presente, sonhava com o futuro como se o presente fosse apenas um caminho...
Egoísmo o meu a decidir futuro...
Mas se fosse apenas um pequeno passo à frente do presente, uma coisa pequenina, quase insignificante, apenas o dia de amanhã...
Não foi!
Queria tanto viver o futuro no presente, fui andando, avancei...
Imaginei a velhice, os dias em que viveríamos as recordações, os dias em que compreenderíamos como tínhamos tido uma vida cheia, compreenderíamos como o nosso papel aqui estaria completo, todas as dificuldades do passado seriam recordadas com sorriso, os dias em que olhando para trás apenas veria a nossa existência...
Nós num só, rindo e chorando em simultâneo, a historia de um seria a recordação do outro...
Era o que eu sentia!
Era o que eu vivia!
Queria o todo sempre, anular o tempo, que o agora fosse um continuo, sem passado sem futuro, apenas fosse, tal como o imaginava, sempre presente...
Vivia o todo sempre, imaginava-o como quem vive a realidade, o todo sempre é agora...
Eras musa que me inspirava no presente, permitias sonhar o futuro, o todo sempre feito possível!
Descobria aqui e ali a concordância que desejava...
E o presente não era!
Por isso, eu....
Eu imaginei-te!Criei-te!
Assim...
Uma personagem!
Não te ofendas... Não é melhor, não é pior. Simplesmente outra pessoa!
Uma pessoa, como eu e tu, criada por mim, iniciada em ti!
Parte de mim em ti, parte de ti em mim!
A ti Obrigado!
A ela...
Adeus!"
Quando disse esta última palavra, levantou a cabeça. Sorriu e chorou uma ultima vez...
Definiu um ponto e caminhou até lá. Sem decisão, sem melancolia, caminhou apenas...
Bicho
Senti que me devia aproximar, mas ao fazê-lo, vi como a sua expressão mudava rapidamente entre o riso e o choro. No sorriso, abria o peito, o seu olhar brilhava, alargava os passos e levantava a cabeça, observava a vida à sua volta. Um ser pleno de confiança, o caminho traçado era um objectivo alcançado a cada passo. Chegava mesmo a gargalhar com o canto dos pássaros...
Mas logo abrandava...
O queixo caía. As pedras do caminho ficavam penedos cujos pés subiam em dificuldade. Os passos rectilineamente decididos criavam agora curvas trôpegas, sem sentido, sem definição...
Fiquei um pouco assustado, com tamanha disparidade de sentimentos.
Falava, por vezes sozinho, por vezes como se estivesse a falar com alguém...
Alguém não visível...
"Não me apaixonei por ti...
Apaixonei-me! Isso sim!
Mas por outra pessoa, uma pessoa que...
Em boa verdade... Julguei mesmo que fosses tu!
Mas não eras, não era!
Aliás, nunca chegou a ser!
Fui eu que a criei! O amor tem este efeito sonhador... Obriga-nos a imaginar, cria vontade de futuro! E o futuro, só se vive imaginando!
O presente não era! Por isso, eu....
Eu imaginei-te!
Criei um ser de ti, fora de ti...
Não vivia o presente, sonhava com o futuro como se o presente fosse apenas um caminho...
Egoísmo o meu a decidir futuro...
Mas se fosse apenas um pequeno passo à frente do presente, uma coisa pequenina, quase insignificante, apenas o dia de amanhã...
Não foi!
Queria tanto viver o futuro no presente, fui andando, avancei...
Imaginei a velhice, os dias em que viveríamos as recordações, os dias em que compreenderíamos como tínhamos tido uma vida cheia, compreenderíamos como o nosso papel aqui estaria completo, todas as dificuldades do passado seriam recordadas com sorriso, os dias em que olhando para trás apenas veria a nossa existência...
Nós num só, rindo e chorando em simultâneo, a historia de um seria a recordação do outro...
Era o que eu sentia!
Era o que eu vivia!
Queria o todo sempre, anular o tempo, que o agora fosse um continuo, sem passado sem futuro, apenas fosse, tal como o imaginava, sempre presente...
Vivia o todo sempre, imaginava-o como quem vive a realidade, o todo sempre é agora...
Eras musa que me inspirava no presente, permitias sonhar o futuro, o todo sempre feito possível!
Descobria aqui e ali a concordância que desejava...
E o presente não era!
Por isso, eu....
Eu imaginei-te!Criei-te!
Assim...
Uma personagem!
Não te ofendas... Não é melhor, não é pior. Simplesmente outra pessoa!
Uma pessoa, como eu e tu, criada por mim, iniciada em ti!
Parte de mim em ti, parte de ti em mim!
A ti Obrigado!
A ela...
Adeus!"
Quando disse esta última palavra, levantou a cabeça. Sorriu e chorou uma ultima vez...
Definiu um ponto e caminhou até lá. Sem decisão, sem melancolia, caminhou apenas...
Bicho
terça-feira, 17 de julho de 2012
Bicho em Voz
Se me estão a ouvir...
É porque a duvida já terminou!
A escolha já foi feita.
Curioso registo de pensamento... rapidamente se transformou em nada, é apenas uma ideia passada!
Passar a comunicar com voz... como irá ser comunicar com voz!
Ontem, ouvi várias vozes e tenho que escolher uma!
Engraçado como nós Bichos que temos uma consciência colectiva vamos partilhar a voz com um Humano, um só Humano!
A partilha do som, palavras sonoras, os sentidos poderão ser nossos, mas a sonoridade, a voz, a vibração será humana...
O som que vos individualiza, que serve de referencia para a identidade de cada um de vós!
Será referencia comum entre nós... e um de vocês!
Mas...Qual será a identidade desta voz?
Será uma escolha minha, bem sei, mas a escolha terá como base a sensação que essa voz me transmite, essa sensação será igual em mim e em todos nós! A minha escolha não reflecte apenas minha mas a de todos!
A escolha da voz de todos os bichos. A nossa Voz.
Uma consciência, uma voz!
Nossa! E de um Humano... duas consciências, uma voz!
O que sentirei quando ouvir essa voz?
Saberei distinguir? Serei eu? Um de nós? Será o humano que nos a empresta?
A escolha não é fácil, quando ouço um humano a sua voz consegue, tirando raros casos, estar em consonância com o que diz o seu coração... transparece na sua voz a sua emoção!
Como ocorrerá esse processo connosco?
Tantas duvidas e assim que a escolher... todas elas passado!
Que utilidade tem a duvida após a sua resposta...
A escolha está a realizar-se sem a presença do mesmo. Será melhor! Poderei eu atribuir o valor à voz!
Mas... é difícil, associar-me a algo que nunca pensei ter!
Será que os homens sentem de igual modo quando ganham uma nova característica?
E se escolher a voz de um Homem mau? Será que a minha mensagem ganhará as suas característica não pelas palavras mas pelo som reproduzido...
O seu tom o seu timbre ira conseguir passar a mensagem?
E que mensagem desejamos nós?
Testemos!
- Olá! Eu sou o Bicho!
É porque a duvida já terminou!
A escolha já foi feita.
Curioso registo de pensamento... rapidamente se transformou em nada, é apenas uma ideia passada!
Passar a comunicar com voz... como irá ser comunicar com voz!
Ontem, ouvi várias vozes e tenho que escolher uma!
Engraçado como nós Bichos que temos uma consciência colectiva vamos partilhar a voz com um Humano, um só Humano!
A partilha do som, palavras sonoras, os sentidos poderão ser nossos, mas a sonoridade, a voz, a vibração será humana...
O som que vos individualiza, que serve de referencia para a identidade de cada um de vós!
Será referencia comum entre nós... e um de vocês!
Mas...Qual será a identidade desta voz?
Será uma escolha minha, bem sei, mas a escolha terá como base a sensação que essa voz me transmite, essa sensação será igual em mim e em todos nós! A minha escolha não reflecte apenas minha mas a de todos!
A escolha da voz de todos os bichos. A nossa Voz.
Uma consciência, uma voz!
Nossa! E de um Humano... duas consciências, uma voz!
O que sentirei quando ouvir essa voz?
Saberei distinguir? Serei eu? Um de nós? Será o humano que nos a empresta?
A escolha não é fácil, quando ouço um humano a sua voz consegue, tirando raros casos, estar em consonância com o que diz o seu coração... transparece na sua voz a sua emoção!
Como ocorrerá esse processo connosco?
Tantas duvidas e assim que a escolher... todas elas passado!
Que utilidade tem a duvida após a sua resposta...
A escolha está a realizar-se sem a presença do mesmo. Será melhor! Poderei eu atribuir o valor à voz!
Mas... é difícil, associar-me a algo que nunca pensei ter!
Será que os homens sentem de igual modo quando ganham uma nova característica?
E se escolher a voz de um Homem mau? Será que a minha mensagem ganhará as suas característica não pelas palavras mas pelo som reproduzido...
O seu tom o seu timbre ira conseguir passar a mensagem?
E que mensagem desejamos nós?
Testemos!
- Olá! Eu sou o Bicho!
terça-feira, 5 de junho de 2012
Bicho em Dor
Por vezes, a minha condição de Bicho, obriga-me a viver momentos dolorosos...
Sentir os sentimentos dos outros nem sempre é agradável!
A leitura dos seus corações, é por vezes mais esclarecedora, para nós Bichos, que para os próprios Humanos que as vivem.
Preferem negar sentimentos, acções contrarias...
Desconhecem o valor do seu acto .
Nós vivemos também através do coração dos outros, apenas pelo sentimento, essas contrariedades, provocam-nos dores físicas...
Seres que amam sem amar.
Seres que se escondem para amar.
Seres que amam sem compreender o seu amor.
Seres que negam o amor que sentem.
Seres que vivem o amor no egoísmo, sem se preocuparem com o sentimento de terceiros...
Vocês, Humanos, vivem os vossos, nós vivemos os de todos nós...
Bicho
Sentir os sentimentos dos outros nem sempre é agradável!
A leitura dos seus corações, é por vezes mais esclarecedora, para nós Bichos, que para os próprios Humanos que as vivem.
Preferem negar sentimentos, acções contrarias...
Desconhecem o valor do seu acto .
Nós vivemos também através do coração dos outros, apenas pelo sentimento, essas contrariedades, provocam-nos dores físicas...
Seres que amam sem amar.
Seres que se escondem para amar.
Seres que amam sem compreender o seu amor.
Seres que negam o amor que sentem.
Seres que vivem o amor no egoísmo, sem se preocuparem com o sentimento de terceiros...
Vocês, Humanos, vivem os vossos, nós vivemos os de todos nós...
Bicho
Bicho de Paz
O Ibrahim entrou acelerado e disse-me:
- Hei, Filhote!! Estava a andar e a pensar na pergunta que no outro dia estavas a fazer... sobre como será o teu mundo?
Há uma coisa maravilhosa no teu mundo... Uma coisa...Isto claro, se o vosso comportamento e reacção de uns com os outros for semelhante ao que vos acontece aqui na terra...
Como dizia, uma coisa é certa!
Vocês não tem guerras, não podem ter!
Repara, aqui na terra as guerras surgem devido, à vontade de poder e dominação, pelo sentido de posse, pela a incapacidade de compreensão entre os homens!! Ora, se vocês, não tem a noção de posse, ou melhor... A vossa noção de posse é igual em todos pois assim que o sentem , sentem de igual por todos, partilham esse sentimento... Não conseguem sentir dominação sobre outro dos vossos, pois, assim que o dominassem, sentiriam-se igualmente dominados, ao partilharem todos os sentimentos tem compreensão plena uns dos outros... Que espécie maravilhosa é a vossa!! Fico até com vontade de ser Bicho, como tu, meu filho! Um mundo sem guerras entre a mesma espécie!
Ficou a olhar para mim com um ar meio espantado, pelo meu franzir de sobrolho... - Que foi?
No quadro escrevi: Seres estranhos! Somos ambos membros de espécies estranhas!
Nós, não nos guerreamos pois a nossa evolução, criou mecanismos que não o permitem...
Vocês, guerreiam-se apesar de saberem as razões?
Bicho
- Hei, Filhote!! Estava a andar e a pensar na pergunta que no outro dia estavas a fazer... sobre como será o teu mundo?
Há uma coisa maravilhosa no teu mundo... Uma coisa...Isto claro, se o vosso comportamento e reacção de uns com os outros for semelhante ao que vos acontece aqui na terra...
Como dizia, uma coisa é certa!
Vocês não tem guerras, não podem ter!
Repara, aqui na terra as guerras surgem devido, à vontade de poder e dominação, pelo sentido de posse, pela a incapacidade de compreensão entre os homens!! Ora, se vocês, não tem a noção de posse, ou melhor... A vossa noção de posse é igual em todos pois assim que o sentem , sentem de igual por todos, partilham esse sentimento... Não conseguem sentir dominação sobre outro dos vossos, pois, assim que o dominassem, sentiriam-se igualmente dominados, ao partilharem todos os sentimentos tem compreensão plena uns dos outros... Que espécie maravilhosa é a vossa!! Fico até com vontade de ser Bicho, como tu, meu filho! Um mundo sem guerras entre a mesma espécie!
Ficou a olhar para mim com um ar meio espantado, pelo meu franzir de sobrolho... - Que foi?
No quadro escrevi: Seres estranhos! Somos ambos membros de espécies estranhas!
Nós, não nos guerreamos pois a nossa evolução, criou mecanismos que não o permitem...
Vocês, guerreiam-se apesar de saberem as razões?
Bicho
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Incondicionalmente Filho
Vivi um pensamento, nosso, de Bicho...
Estava a descreve-lo ao Ibrahim, curioso facto, todos os pais e mães de Bicho, são Humanos com um grande respeito pelo ser! Seja animal, vegetal...
Estava a descreve-lo ao Ibrahim, curioso facto, todos os pais e mães de Bicho, são Humanos com um grande respeito pelo ser! Seja animal, vegetal...
Ao que o Ibrahim em jeito de brincadeira, acrescentou: Ou mesmo mineral!
Verdade é que todos estes pais de Bicho são de facto Humanos com um extremo cuidado, no que toca ao respeito da vida.
Será que viemos cá aprender...
Ao juntar este pensamento com outra interrogação que nos tem assaltado... Sobre o nosso desígnio, o que fazemos nós Bichos neste planeta!
Rapidamente se juntou a interrogação da probabilidade de todas as estrelas ao chegarem serem recolhidas por seres Humanos que, apesar de recatados e discretos, se distinguem de os de mais, nesse aspecto!
Ao juntar este pensamento com outra interrogação que nos tem assaltado... Sobre o nosso desígnio, o que fazemos nós Bichos neste planeta!
Rapidamente se juntou a interrogação da probabilidade de todas as estrelas ao chegarem serem recolhidas por seres Humanos que, apesar de recatados e discretos, se distinguem de os de mais, nesse aspecto!
Será mera casualidade cósmica!
Desígnio?
Desígnio?
Quanto as interrogações, o Ibrahim é muito bom a concretiza-las?
Desde que me lembro que o seu processo de ensinamento passa essencialmente por fazer questões, mais do que dar respostas. Não se preocupa muito quanto as respostas! Mas discuto-as com ele, é a sua forma de ser!
Mas também franziu a sobrancelha e acrescentou:
-Será que já estava destinado?
- Terás vindo por meu desejo?
- Desejavas-me, antes da minha vinda? Perguntei.
-Quem não deseja amar, meu filho?
Bicho
Desde que me lembro que o seu processo de ensinamento passa essencialmente por fazer questões, mais do que dar respostas. Não se preocupa muito quanto as respostas! Mas discuto-as com ele, é a sua forma de ser!
Mas também franziu a sobrancelha e acrescentou:
-Será que já estava destinado?
- Terás vindo por meu desejo?
- Desejavas-me, antes da minha vinda? Perguntei.
-Quem não deseja amar, meu filho?
Bicho
quarta-feira, 28 de março de 2012
Bicho como as Árvores!
Quatro dias em casa do Ibrahim!
Deslocou-se em trabalho, é muito raro, mas por vezes acontece...
Fiquei sozinho, a matar saudades do espaço, continuo a senti-lo como meu.
Não dormi no meu sitio. Fiz bola na cama do Ibrahim! Esta casa fica vazia sem ele, sempre ajuda a matar a saudade.
Cuidei das plantas, imitei-o, cantarolei-lhes grunhidos, enquanto lhes permitia a continuação da vida através da rega...
Estranho como o ser humano cria estas relações em que outros seres ficam dependentes da sua vontade para a existência! Ficam agradecidos! O abanar das folhas, conforme a simulada chuva lhes caía, pareciam acenos de agradecimento!
Elas sabem que não sou ele! Mas também gostam de mim. Até mudei uma de vaso, pois enquanto a regava, senti que necessitava! Depois, combinamos uma surpresa ao Ibrahim, vai-lhe dar frutos! "Serão pequeninos mas os mais doces que conseguir!"
Mas um pequeno arbusto que estava na varanda a fazer de sebe, não se animou muito...
Grunhi-lhe uma canção em vários tons mas permaneceu ausente!
Nessa noite tive um sonho!
Falava com as plantas!
Perguntava ao arbusto o que tinha. Mas este, de amuado, virava-se para a parede deixando apenas as folhas castanhas viradas para mim!
O pequeno vaso que estava ao seu lado, ao compreender a minha preocupação, sussurrou por entre as folhas: "Ele anseia pela liberdade! Quer se expandir para lá do vaso! Sonha em ter descendência e criar uma floresta de arbusto, todos juntos, unidos pelas raizes..."
-Cala-te! vibrou finalmente o arbusto. Não é assim! Ou melhor... Bicho! Há quanto tempo é que aqui estou?
-Sabes que não sou muito bom com a contagem do tempo... Mas, lembro-me de ti na varanda quase desde sempre! Lembro-me de ser pequenino e simular que tu eras a floresta, que eu tanta necessidade sinto!
-Sim vim para cá apenas um pequeno tronco, e aqui fiquei! Cresci. Sinto agradecimento ao Ibrahim pois sempre cuidou de mim. Limpou-me os ramos, abrigou-me dos ventos mais fortes, limpou-me as folhas, sempre me alimentou, chegou mesmo a tirar-me os ramos que me enfraqueciam e cuja podridão me afectava! Mas... Sinto-me incompleto. Sinto-me a negar a minha natureza! Quando os meus dias chegarem ao fim! Quem me sentirá, como eu sinto o Ibrahim...
Nesse momento acordei com uma conhecida voz: Filhote!
Abracei o Ibrahim, como se este me regasse!
Escrevi o meu sonho no Quadro!
O Ibrahim foi a varanda, olhou para arbusto! Pegou nele e disse: Bicho, vamos! Andamos uns bons quilómetros de carro, até chegarmos a uma encosta virada a sul. Tinha vários arbustos parecidos.. Encontrou uma clareira e gritou: Bicho traz a pá!
No final, o Ibrahim aproximou-se do arbusto e segredou-lhe.
Não ouvi!
A primeira rega foi uma lágrima do Ibrahim! Deu-lhe um terno beijo em algumas folhas...
Abracei-os aos dois!
Quando chegamos a casa, olhei para local do arbusto.
Tive uma sensação contraria!
Tão vazio, em simultâneo tão cheio!
Deslocou-se em trabalho, é muito raro, mas por vezes acontece...
Fiquei sozinho, a matar saudades do espaço, continuo a senti-lo como meu.
Não dormi no meu sitio. Fiz bola na cama do Ibrahim! Esta casa fica vazia sem ele, sempre ajuda a matar a saudade.
Cuidei das plantas, imitei-o, cantarolei-lhes grunhidos, enquanto lhes permitia a continuação da vida através da rega...
Estranho como o ser humano cria estas relações em que outros seres ficam dependentes da sua vontade para a existência! Ficam agradecidos! O abanar das folhas, conforme a simulada chuva lhes caía, pareciam acenos de agradecimento!
Elas sabem que não sou ele! Mas também gostam de mim. Até mudei uma de vaso, pois enquanto a regava, senti que necessitava! Depois, combinamos uma surpresa ao Ibrahim, vai-lhe dar frutos! "Serão pequeninos mas os mais doces que conseguir!"
Mas um pequeno arbusto que estava na varanda a fazer de sebe, não se animou muito...
Grunhi-lhe uma canção em vários tons mas permaneceu ausente!
Nessa noite tive um sonho!
Falava com as plantas!
Perguntava ao arbusto o que tinha. Mas este, de amuado, virava-se para a parede deixando apenas as folhas castanhas viradas para mim!
O pequeno vaso que estava ao seu lado, ao compreender a minha preocupação, sussurrou por entre as folhas: "Ele anseia pela liberdade! Quer se expandir para lá do vaso! Sonha em ter descendência e criar uma floresta de arbusto, todos juntos, unidos pelas raizes..."
-Cala-te! vibrou finalmente o arbusto. Não é assim! Ou melhor... Bicho! Há quanto tempo é que aqui estou?
-Sabes que não sou muito bom com a contagem do tempo... Mas, lembro-me de ti na varanda quase desde sempre! Lembro-me de ser pequenino e simular que tu eras a floresta, que eu tanta necessidade sinto!
-Sim vim para cá apenas um pequeno tronco, e aqui fiquei! Cresci. Sinto agradecimento ao Ibrahim pois sempre cuidou de mim. Limpou-me os ramos, abrigou-me dos ventos mais fortes, limpou-me as folhas, sempre me alimentou, chegou mesmo a tirar-me os ramos que me enfraqueciam e cuja podridão me afectava! Mas... Sinto-me incompleto. Sinto-me a negar a minha natureza! Quando os meus dias chegarem ao fim! Quem me sentirá, como eu sinto o Ibrahim...
Nesse momento acordei com uma conhecida voz: Filhote!
Abracei o Ibrahim, como se este me regasse!
Escrevi o meu sonho no Quadro!
O Ibrahim foi a varanda, olhou para arbusto! Pegou nele e disse: Bicho, vamos! Andamos uns bons quilómetros de carro, até chegarmos a uma encosta virada a sul. Tinha vários arbustos parecidos.. Encontrou uma clareira e gritou: Bicho traz a pá!
No final, o Ibrahim aproximou-se do arbusto e segredou-lhe.
Não ouvi!
A primeira rega foi uma lágrima do Ibrahim! Deu-lhe um terno beijo em algumas folhas...
Abracei-os aos dois!
Quando chegamos a casa, olhei para local do arbusto.
Tive uma sensação contraria!
Tão vazio, em simultâneo tão cheio!
Bicho
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