sexta-feira, 12 de julho de 2013

Um sorriso sem fim...

A Primavera não surgia!
Procurava os rebentos nas árvores que não brotavam, flores que teimosamente não se abriam...
Zuniam perdidos os insectos,  os animais, deambulavam ausentes entre campos de aspecto recolhido...
Visto o horizonte, toda a terra apresentava um tom cinza, uma palidez suspensa...
Perguntei as plantas e aos seres da natureza o que estava a acontecer? Mas a resposta, eu não conseguia compreender. Murmuravam adormecidos...
Sentei me com eles a aguardar qualquer alteração, e também eu, comecei a adormecer a entregar-me ao comum estado letárgico...
Até que senti uma mão que se aproximava , não apenas de mim, mas de todos nós que partilhávamos a dormência.
Os pássaros, os insectos, as plantas, os homens, os bichos de todo o mundo, os rios que pouco a pouco se transformavam em lagos, tudo que parara...
Quando finalmente nos atingiu, sacudiu com violência! Ouviram-se trovões. Rasgou-se a terra.  Galgou as fronteiras o mar. Ergueram-se montanhas em espasmo. Expandiu-se ao poço mais fundo o céu....
E no fim... no local mais fértil...  no local mais profundo de todos nós... essa mão! Gentilmente colocou uma semente...
Trazia um sorriso, trazia um olhar, trazia alegria, trazia uma vida...
As flores abriram...
Os pássaros cantaram...
As crianças sorriram...
Para que cada momento da vida, nunca tenha um fim...
Para que eternamente sejamos todos, um!

Bicho



sexta-feira, 21 de junho de 2013

homem, assim! com letra pequena

Caminhava na cidade, sem um destino definido.
Contudo... A cada esquina, cruzamento, encruzilhada que encontrava não duvidava no sentido que deveria tomar.
Até que cheguei a um largo,  com algumas árvores já de longa idade, era atravessado por uma estrada que apesar de pouco circulada, cortava o uso que o largo teria inicialmente...
É frequente nas cidades, encontrar situações idênticas, resultado da evolução da mesma, diz me muitas vezes o Ibrahim... Fico sempre com a sensação de um espaço amputado!
De um lado, elevado por uns degraus, um edifico mais alto que todos o que circundavam,  duas torres ocas, onde a cada intervalo ressoam badaladas, avisando os homens, que a sua vida aqui é apenas passageira, um mero processo temporal. Um edifício construído para o culto, por forma a honrar e a glorificar o desconhecimento dos homens. Presos na ignorância material construíram no com materiais nunca exigidos...
Do outro, casas de uma janela e porta só. Algumas com acrescentos, facilmente definidos pelo tipo de construção...
Numa dessas portas, encontrava-se um homem... sim, com letra pequena, assim me pediu ele! Quando lhe perguntei o nome, respondeu-me:  meu nome? é homem, simplesmente! sem letras grandes...
Momento de perplexidade para mim! Ou eu estava a falar a língua dos homens, ou este homem, falava como nós bichos, sem palavras... A verdade é que a comunicação foi feita sem eu nunca conseguir compreender como esta se estava a dar....
Perguntei-lhe quem era? Como tinha chegado até aqui?
 O homem de cabelos negros, compridos, sujos, amarfanhados, confundiam-se com a sua barba cujos os longos pelos se misturavam entre a sua túnica de cor de terra, suja ou gasta de vários caminhos...
Desenrolou parte da túnica enrolando-a junto à cinta  para que os seus movimentos ficassem mais livres e enquanto sorria, chorava e dançava, cantou assim:


"foi num dia de festa, como hoje...
uma festa!
hoje é dia de festa... quando imensos se emanam em continuidade, recordaram a sua ligação, de como o mistério se desenvolveu, de como partícula, átomo,  ínfima coisa, vazio do nada, molécula do todo... somos criados e de como partícula nos gerou!
esse acto... altruísmo, puro acaso...
superior ao sentimento... qual amor? ódio! loucura ou insanidade, a nenhum lhe pertence!
faísca de vida apenas...

terá sido ontem?
talvez há algum tempo mais...

não pela distancia da minha recordação, mas pela evidencia dos factos.
o tamanho, o crescimento! a contabilização da minha existência na repetição dos ciclos...
recordo... revivo, como se do presente se tratasse...
como pudesse eu recordar! se nem da mesma matéria provenho, se de outra explosão sou gerado...

sou criado em mim,  sonhado, vivido agora, simplesmente ser, eis... sou!
uma só partícula, imensa, reduzida a nada, um ponto infinito de todo.

nasce em mim meu pai, sente-me como te sinto, tal como somos, uma só partícula, continuada...
nasce em mim minha mãe, sente-me como te sinto, tal como somos, uma só partícula, continuada...
nasce em mim meu irmão, sente-me...
nasce em mim...

deixa me ser tu, e ele, e ela, e ser todos em mim, que a minha existência seja tua e que eu exista em ti.
nasce em mim para que de ti eu nasça.
sejamos o que sou, uma só partícula, acto, ínfima coisa...
vazio do nada...
molécula do todo..."

e os sinos ecoaram por toda a praça, reflexo da minha partilha humana, olhei para as torres confirmando a contabilização do tempo...

Bicho






quarta-feira, 15 de maio de 2013

Esta luz, tão cheia de cores!

Os amigos do Ibrahim, são também meus amigos, nem de outra forma poderia ser! Ontem, jantamos com o Gabriel, um amigo de longa data! Durante o jantar, o Ibrahim, falava dos seu amor e dos seus sentimentos por uma rapariga... Mas, no entretanto, caímos em assuntos mundanos e jantado que estava, resolvi dormir! A determinada altura estava eu já em bola, num canto da sala, quando fui acordado por um amarfanhado de papel, atirado contra mim! Levantei-me em sobressalto! O Ibrahim tinha saído da sala, e o Gabriel, encostou o dedo aos lábios e assobiou um shiu... - "Guarda! Dá o depois ao Ibrahim, escrevi-o agora... Melhor! Podes até por no teu 'Caminho'... " e piscou me um olho enquanto sorria. O Ibrahim entrou... Percebendo alguma cumplicidade, sorriu e perguntou: O que estão vocês a preparar? Meti-me em bola novamente, que ele lê as minhas expressões, não lhas sei esconder!
Tal como prometido Gabriel, aqui fica:

«Esta luz, tão cheia de cores!

Enquanto fugia...  dos sentimentos de voo, daquele momento em que a flecha nos acerta, em que o coração que sangra ocupa todo o corpo, sem nunca se esvaziar...
Ao contrario... da sua ferida, o sangue brotado, ramifica em todos os órgãos e batem como um só...  E o todo que somos, é um só coração, e pulsa...
E exige e quer! Ferido de alegria e vontade...
Obriga! Coloca-nos asas sonhadoras, sem o controle das mesmas, elevamos à procura do astro que nos ilumina!
Ascendemos feito Ícaros fascinados pela beleza, pela luz...
Mas... Talvez com medo da vertigem... da irracionalidade... Das anteriores quedas provocadas pela fé!
Fugia..
Remeti-me à espera da confirmação, qual o sentimento...
A paixão que morra!
Morre paixão!
Não te quero em mim! Sai das minhas veias. Larga o meu corpo. Deixa-me fazer as minhas escolhas! Porque te intrometes pequeno arqueiro! Deixa-me...
E lutei no voo...
Agarrei-me! Lancei ancoras e tudo o mais que podia para travar a ascensão, mas... Fui voando!
Lutei com os ventos, tentei lançar-me em queda...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Até que de tanto lutar, finalmente domei as asas! Tornei-me dono de mim! Pousei lentamente...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Caminhei dois passos em sua direcção...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Abri as asas em toda a sua envergadura, bati-as levemente, elevei-me apenas uns metros do  chão...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Fiz a escolha! Senti o sangue que acalmara a jorrar novamente, mas por vontade, a tomar conta de mim, e todo eu, a escolha e o destino, voamos sem medo, sem querer deixar de olhar para luz, cada vez mais brilhante... tão cheia de cores!

Gabriel da Fonseca »

Fiquei com pena de ter adormecido, gostaria de ter ouvido toda a conversa!

Bicho




terça-feira, 2 de abril de 2013

Roscas à parte!

Um alicate saltou da caixa de ferramentas!
Olhou para os parafusos espalhados pelo chão e gritou-lhes: Mas que balburdia é esta?
Os parafusos colocaram se logo em sentido, alinharam as roscas e perfilaram-se por tamanho e tipo... Todos menos um!
Franziu a fenda e gritou: Ouve lá Alicate! Tu não tens poder sobre nós! Só respondemos as ordens da velha chave de fenda! Não de Ti...
Um outro parafuso, alinhado, mas perto do parafuso insolente, sussurrou-lhe :
És louco!!! a falar assim com o alicate? queres que ele te aperte e entorte, ou pior que te corte...
Olhava altivo o alicate, preparava-se para falar quando por trás dele apareceu a velha chave de fenda...
O alicate cedeu-lhe o lugar, este tomando o palanque disse: Ora bem. Vamos proceder a substituição de uma viga de madeira que sustenta um telhado... Quero-te a ti parafuso resmungão! Mais onze voluntários! Parafusos! Saibam que este é um trabalho de extrema responsabilidade! E que muita coisa, pode acontecer...
Lá foram todos para a sacola de trabalho, o alicate, a velha chave de fenda, os doze parafusos...
Dizia aqui e ali o parafuso resmungão: Voluntários, vocês são voluntários! Mas eu, não! Eu, fui escolhido para um trabalho de maior responsabilidade, a velha chave sabe o meu valor... Riam os outros parafusos, das gabarolices do parafuso.
Quando chegou o momento, a chave de fenda disse aos seus parafusos: Meus bons rapazes! Espero que compreendam a vossa função, começa hoje a vossa nova vida, conto convosco, para que sejam a garantia da sustentação deste telhado!
Após encaixes, cortes e ajustes, chegou a hora de os parafusos!
Foram sendo orgulhosamente apertados até ao ultimo chiar da madeira, finalmente chegou a vez do impaciente parafuso. A velha chave de fendas disse-lhe: Rapaz! Chegou a tua hora, esta madeira tem nós duros, difíceis de ultrapassar, é imperativo que te mantenhas firme, não cedas perante eles ou... Sim! Eu sei! Interrompeu o parafuso. Aprendi tudo que havia para aprender, Eu sei...
Colocou-se no local pretendido, a chave de fendas, engatou-se na sua cabeça fendida e enroscou e enroscou... O parafuso que sentiu um veio mais duro, achou que não precisava de se manter firme e numa torção, zás... Entortou! Ahhhh gritou o Parafuso! O que te disse rapaz! E agora... Enquanto agonizava o parafuso...
 Alicate! Chamou a velha chave de fendas! Todos os outros parafusos se arrepiaram ao ouvir aquele nome. Comentaram entre eles. Ah...vai ser cortado!
O parafuso, desanimado, entortado, chorava agora por clemencia, por favor... O Alicate aproximou-se dele e com uma voz autoritária disse: Rapaz, tudo vou fazer para te dar uma segunda oportunidade, ai de ti que depois não te mantenhas firme... e com jeito e sem pressas abocanhou o parafuso,  num movimento decidido endireitou-o!
Como vai ser agora fedelho? Disse a Velha Chave de Fenda ao parafuso que ainda soluçava por ter visto o fim tão perto...
Mas desta vez, o parafuso manteve-se firme até ao fim...
Boa rapaz! Disse a Chave de Fenda.
Ora! Devo-o ao bom Alicate! Obrigado.

Bicho


Sem pintura...

Senti!
Era forte a dor!
Uma mágoa em mim que vinha do outro lado da tenda...
Atravessei-a num só salto...
Encontrei um homem de olhar perdido, sentado na beira de um charco...
Os seus olhos choravam apesar de nenhuma lágrima escorrer deles.
Os seus olhos, variavam, entre o vazio e uma fotografia caída nos dedos...
Grunhi um som quente, acolhedor, abracei-lhe a dor, distribuía pelos dois. Atenuei-a...
Abracei-o com o som, com os braços, com o todo que sou...
Quando finalmente se deixou encostar no meu peito, gritou sem som! Senti o mundo tremer, há muito que carregava aquela dor, também o mundo aguardava a sua partilha...
E a dor que senti, atenuou novamente...
Chorou finalmente, em arco, como só ele sabe fazer, chorou até a libertação...
Alguém o chamou...
Calçou os longos sapatos, vermelho-purpura, adicionou um nariz ao seu, retocou o sorriso junto aos olhos, e entrou!
As crianças gargalharam de imediato...

Bicho

domingo, 31 de março de 2013

Nascido, não vivido!

Quando as Chuvas de Estrelas vem o que sentimos é muito forte....

Nunca vos disse, pois tal como acontece entre nós, sentimos também em vocês, Humanos, o principio da vida, não o sentimos com a mesma intensidade, mas na presença, a sensação garante-nos a certeza! A germinação no útero...

O Ibrahim já reconhece em mim quando o sinto!

Mas o que quero contar-vos é uma historia que aconteceu num longo passeio que realizei com o Ibrahim e dois amigos....

Seguíamos numa estrada com vistas longínquas, campos de trigo que se prolongavam até horizonte, oscilantes na brisa. Junto à estrada, as árvores baixas criavam janelas para os campos e ajudavam a limitar o caminho...

Num desses intervalos, surgiu uma casa térrea, caiada, com as janelas e portas fitadas em azul escuro... Pareceria uma casa normal, não fosse o caso de nas paredes, estar cheia de escritos em múltiplas cores:
 "Se seguires o sonho, segues a felicidade" ; 
"A felicidade é sermos felizes. Não é fingirmos que o somos";
 " O mal nunca está no amor"
...
 Muitas outras frases, conhecidas e desconhecidas, circundavam a casa, mas todas de inspiração para felicidade, para o amor, para a verdade!

Grunhi de imediato, assim como a Paula e o Fernando, avisando o Ibrahim do desejo de parar! Eles porque queriam tirar umas fotografias, eu pelo que senti...

O Ibrahim encostou o carro um pouco à frente, saímos. O Fernando começou logo a disparar em múltiplos ângulos à casa. Panorâmicas gerais, pormenores, a Paula a apontar  frases...

Eu, aguardava o ser que lá dentro se encontrava!

Não demorou muito...

Antes da sua visão, fez se anunciar com uma voz forte: "Entrem, entrem..." Enquanto a porta se abria..."Há mais para viver cá dentro..."
 Surgiu um Homem, velho mas de idade indeterminada, cabelos e barba longos e grisalhos, no fim desta, uma barriga nua, redonda, proeminente, saía da camisa aberta, manchada da transpiração, vinho e restos de comida... Uns calções, outrora calças, segurados por uma corda. Pés nus, largos, calçavam o pó que se acumulava...
 Tinha um aspecto um pouco assustador, para quem apenas sente e avalia pela visão...

A Fernanda correu para o Paulo, um pouco mais afastado a disparar continuas fotografias...

Quando me viu,  penteou a barba com os dedos, lançou uma grande gargalhada: "O Bicho!!! Que saudades tenho de ti!" Dei-lhe um abraço. Ao que a Paula meia espantada perguntou: Mas... Já se conheciam? Ao que o Emanuel, assim se chamava o Homem, respondeu rapidamente: "Sim, talvez não fosses tu! Olhando para mim. Mas eras o também! Certo Bicho?"

Essa frase fez o Ibrahim aproximar-se e relaxar com a situação...
Entramos!
A casa encontrava-se decorada com o entulho de muitas vidas passadas, roupas, quadros, brinquedos, móveis... Tirando a cozinha, todas as outras divisões serviam apenas de carreiro entre elas, tal era o acumular de coisas amontoadas. Contudo, conforme nos contava historias, rapidamente encontrava a peça sobre a qual recaia a historia, no meio do tudo aquilo, subia, mergulhava no emaranhado de recordações e de lá saia com a peça que tinha descrito, como se tivesse um memoria absoluta, sobre o empilhamento do vivido...

Mas o que vos quero contar desta historia, foi o que aconteceu à Paula... Enquanto esta observava uma cerâmica que se encontrava pendurada na cozinha,  aproximou do Emanuel. Ele que se encontrava a contar mais uma recordação... Parou! Virou-se para trás onde se encontrava a Paula e... Então Parabéns! Seja bem vinda a nova existência... Para ela e para o Fernando foi um momento constrangedor...
Saiu em pranto, o Fernando seguiu-a!
O Ibrahim informou que de facto ela tinha estado gravida mas tinha abortado recentemente às seis semanas,  O Emanuel levantou-se e veio cá fora falar com a Paula.

"Paula, desculpe se a magoei, não era essa a minha intenção, não me fiz compreender. Deixe-me por favor dizer-lhe, a sua condição não difere em nada das mulheres que concretizaram a gravidez, grande milagre é a geração, o que lhe aconteceu faz parte da sua condição de mulher e de mãe...
Quero que saiba que de si, nasceu um ser, mesmo que não o tenha visto viver..." 

Estava a dizer isto quando começamos a ouvir ao longe sinos...

O Emanuel, olhou profundamente nos olhos da Paula, e convidou: "Oh! seria uma honra, receber o compasso convosco em minha casa!"
O choro transformou-se num sorriso contemplativo...
Aceitamos!

Bicho

sexta-feira, 15 de março de 2013

Não o sei dizer em palavras!


Atirou com o papel entre a raiva e o desespero, saiu vociferando meias palavras...
Devia ser, para aí, a quinta vez que o fazia...
Passado uns minutos, voltava a entrar, fixava os olhos no mar, e ali se demorava...
Sentava-se novamente rabiscava qualquer coisa mas... Mal começava a escrever, emitia gritos iniciados em  surdina que se iam libertando em paralelismo com os bruscos movimentos, transpunha a raiva no papel e rasgava e amarfanhava e atirava-os sem cuidado.
Saía novamente entre palavras meias ditas, num acelerado passo, como quem pontapeia o ar...

Num desses momentos, enquanto o retorno não acontecia, não resisti, pequei num dos papeis do Ibrahim...

"Não possuo o dom!
Se eu conseguisse, transporia em palavras o sentimento, este que todos os poetas definem como indefinível, o tal que arde sem se ver, aquele cujo apenas o peito da amada acalma, aquele cuja a mera passagem cria poesia sem palavra...
Como gostaria de ter o dom, de transformar o abstracto em concreto,  definir o indefinível...
De numa orgia de palavras o alcançar,  conjugar as palavras e permitir-lhes apenas o sentimento mais belo, e ainda assim... Tão longe!
Como definir a razão da existência no sentimento que possuo!
Como criar com as palavras tal aglutinação de existência...
Sem medo...
Sem dom...
Sem palavra...
Porque existes!
Porque amo!
Sou!"

Também o sou...
Não o sei dizer em palavras!

Bicho