Bateu à porta repetidamente, sem dar tempo de resposta.
Abri, era o Gabriel!
Entrou.
Murmurou um som cambaleante como a sua marcha...
A cabeça caída, provocava o desequilibro e trocava passos no chão sem se largar dele...
Completamente embriagado!
Entrou sem a licença e o protocolo que lhe é habitual. Não me abraçou, não perguntou pelas minhas aventuras, não sorriu nos meus olhos, não perguntou entre gargalhadas e o piscar de olhos pelo "Merdas" do meu pai... Directamente para a sala, falhou o sofá na queda e estatelou-se no chão.
O Ibrahim, que se encontrava na cozinha, correu para o local do estrondo.
-Ui! Disse o Ibrahim. Não vai acordar tão cedo, vamos leva-lo para o quarto.
Acabamos por o deixar no sofá que a colaboração era nenhuma...
O Ibrahim tirou-lhe um papel que trazia dobrado, meio amarfanhado, na mão, daqueles que servem de toalha nos restaurantes cujo o vinho vende-se pelo preço, não pela qualidade...
Depois de ler, entregou-me o papel com um sorriso, meio maroto, dizendo:
- Hum, ainda está, literalmente, na cegueira!
Entre as nódoas de tinto, entre palavras riscadas e rabiscadas, incluídas e excluídas, com setas a coloca-las nos correctos lugares, conseguia ler-se:
"Nem luz nem escuridão.
Descias a rua em forma de luz,
Eu... na minha escuridão... seguia-te!
Sem sombras a acompanhar, não via para alem da tua claridade,
e seguia-te assustado...
Com medo de perder a única luz conhecida...
Sem compreender a razão...
Sopraste violentamente e escureceste o meu caminho!
Ceguei na escuridão.
Permaneci imóvel e o som dos teus passos distanciou-se...
O abismo rodeou-me. Para qualquer lado o mesmo negro infinito...
Com medo dos meus passos permaneci imóvel.
Que importa o movimento, provavelmente já estou em queda!
Como uma criança chorei por ti, gritei o abandono.
Esperei ouvir o eco da tua presença...
Mas as trevas, de tão profundas, levaram os meus gritos sem uma única resposta...
Num acto de raiva, gritei a exigência de uma estrela, e ela surgiu!
Em espanto, pedi um luar e... Reflectiu!
Abracei o meu poder! Quero então mil sois. Quero cegar de tanta luz.
Que em cada ponto de negritude uma fonte me ilumine, que me impossibilite de ver uma só sombra de mim. Seja a luz um oceano que me afogue na sua imensidão...
Cerrei novamente os olhos, mas à luz, não a quero...
Ergui-me sem medo da escuridão,
levantei o peito e a fronte, deixei que a soberba me apoderasse.
Com a confiança de um cego que compreende a existência da luz,
Caminhei, não no solo firme,
mas na sombra que provoco..."
-Assim deitado...
Não provoca muita sombra... Pelo menos visível!
Amanhã... Amanhã, terá direito a uma estrela nova.
Gozava o Ibrahim, já de costas encaminhando-se para a cozinha...
Bicho
terça-feira, 11 de março de 2014
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Cobre bailarina
Sim!!
Estou pronta!
Fui rebento! Seguro por este meu pai mãe...
Da sua vontade deu me vida, novamente...
Vi a primavera. Enchi-me vida!
Acompanhei o crescimento dos pássaros que abriguei. Vi os voar entre mim e em mil danças os imitei, ao vento... Sentia a liberdade! E todas nós, em movimentos sincronizados... a liberdade, a dança, o sorriso!
Como bailarinas, ao sentir o momento que se aproximava, vestimos o nosso vestido cobre, o mais belo, arrebitamos em pontas e... Estamos prontas!
Sempre, este mesmo receio...
Começou o voo, uma a uma, momento a momento, abraçamos nosso pai mãe, e como se nossos dedos escorressem, em dor e sorriso, soltamos, voamos....
Enquanto o vento me quiser, será meu dono, com ele dançarei e darei a minha beleza...
Até acordar novamente...
Em rebento...
Da vontade de meu pai mãe...
Bicho
domingo, 8 de setembro de 2013
Asas de luz
Hoje vi!
Já o tinha vivido através de outros Bichos...
À minha frente, um homem, comum, igual a tantos outros homens, caiu em dor, gritava-lhe a alma, cansado que estava de tanta fé.
Um raio atravessou-lhe o torso, entrou pelas costas e deixou o rasgado, caído, inerte, corpo vencido sobre os joelhos pousados no chão...
Um só grito, seco e o fim!
Sem vida, sem respiração, sem nada que demonstrasse a existência de futuro...
Mas de súbito, o som da corneta a ocupar todos os ruídos existentes e uma bola em fogo, vinda do nada, tomou o seu corpo, como se os deuses o reclamassem, pensei!
No fim da luz, o homem levantou-se, ainda com a marca do raio que o rasgara, sorriu perante todos, elevou um dedo em riste até aos lábios, pediu silencio sem dizer uma palavra. Sorriu e fez chorar todos os presentes de felicidade. Abriu as asas que escondia, soltou a luz que continha, o seu rosto perdeu a forma que o diferenciava e todos os presentes éramos em simultâneo esse anjo que se revelava.
E o milagre, só assim o poderei descrever, absorveu as nossas dores e num bater de asas curou todos os presentes da vida e do amor.
Homens e mulheres choravam lavados, enquanto o milagre ascendia, aqueles que, agora curados, lacrimejavam como crianças, limpas de culpa, remorsos, lamentações, raivas, invejas... Olharam-se como seres novos, despediram-se como irmãos, seguiram os seus caminhos!
E eu, Bicho, ao ver tal milagre, de incondicional amor, choro ainda a alegria, de o ter vivido...
Bicho
Já o tinha vivido através de outros Bichos...
À minha frente, um homem, comum, igual a tantos outros homens, caiu em dor, gritava-lhe a alma, cansado que estava de tanta fé.
Um raio atravessou-lhe o torso, entrou pelas costas e deixou o rasgado, caído, inerte, corpo vencido sobre os joelhos pousados no chão...
Um só grito, seco e o fim!
Sem vida, sem respiração, sem nada que demonstrasse a existência de futuro...
Mas de súbito, o som da corneta a ocupar todos os ruídos existentes e uma bola em fogo, vinda do nada, tomou o seu corpo, como se os deuses o reclamassem, pensei!
No fim da luz, o homem levantou-se, ainda com a marca do raio que o rasgara, sorriu perante todos, elevou um dedo em riste até aos lábios, pediu silencio sem dizer uma palavra. Sorriu e fez chorar todos os presentes de felicidade. Abriu as asas que escondia, soltou a luz que continha, o seu rosto perdeu a forma que o diferenciava e todos os presentes éramos em simultâneo esse anjo que se revelava.
E o milagre, só assim o poderei descrever, absorveu as nossas dores e num bater de asas curou todos os presentes da vida e do amor.
Homens e mulheres choravam lavados, enquanto o milagre ascendia, aqueles que, agora curados, lacrimejavam como crianças, limpas de culpa, remorsos, lamentações, raivas, invejas... Olharam-se como seres novos, despediram-se como irmãos, seguiram os seus caminhos!
E eu, Bicho, ao ver tal milagre, de incondicional amor, choro ainda a alegria, de o ter vivido...
Bicho
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Solidão de Bicho
Por vezes, encontro o Ibrahim, só, no meio da multidão...
Em festas, ou em breves passeios, consigo sentir a sua solidão...
A caminhar num ritmo só dele, sem influencia de terceiros, os olhos em pontos indefinidos...
Lá vai, ou está, ele, só...
Não pensem que esta solidão obriga a tristeza, claro que por vezes o faz com valor nostálgico, todos vós, Humanos, sentem a falta... Mesmo desconhecendo exactamente o quê...
É, na maior parte das vezes, apenas uma forma de se procurar, de se reequilibrar, uma necessidade maior de procurar compreender o somatório dos seus actos, dos assimilados, dos irreflectidos, das vontades, dos desejos que o exterior vos obriga... Ou meramente uma força, cuja compreensão vos, provavelmente, nos, ultrapassa! Seja como for, todos, e quando digo todos, não é uma mera observação estatística, é mesmo todos! Todos vós humanos! Se não o fizessem perderiam a vossa condição. Humanos não seriam mais...
Sim, não acontece apenas ao Ibrahim... Mas sinto-o nele de uma forma diferente.
Assim, de tempos a tempos, sinto a solidão no Ibrahim.
Está cá, mas sem cá estar!
Está só. A caminhar em si...
Numa incessante procura!
E eu, cujo a condição de Bicho, me obriga a ser, além-individuo...
Sinto, através dele, o paradoxo da solidão...
Bicho
Em festas, ou em breves passeios, consigo sentir a sua solidão...
A caminhar num ritmo só dele, sem influencia de terceiros, os olhos em pontos indefinidos...
Lá vai, ou está, ele, só...
Não pensem que esta solidão obriga a tristeza, claro que por vezes o faz com valor nostálgico, todos vós, Humanos, sentem a falta... Mesmo desconhecendo exactamente o quê...
É, na maior parte das vezes, apenas uma forma de se procurar, de se reequilibrar, uma necessidade maior de procurar compreender o somatório dos seus actos, dos assimilados, dos irreflectidos, das vontades, dos desejos que o exterior vos obriga... Ou meramente uma força, cuja compreensão vos, provavelmente, nos, ultrapassa! Seja como for, todos, e quando digo todos, não é uma mera observação estatística, é mesmo todos! Todos vós humanos! Se não o fizessem perderiam a vossa condição. Humanos não seriam mais...
Sim, não acontece apenas ao Ibrahim... Mas sinto-o nele de uma forma diferente.
Assim, de tempos a tempos, sinto a solidão no Ibrahim.
Está cá, mas sem cá estar!
Está só. A caminhar em si...
Numa incessante procura!
E eu, cujo a condição de Bicho, me obriga a ser, além-individuo...
Sinto, através dele, o paradoxo da solidão...
Bicho
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Um sorriso sem fim...
A Primavera não surgia!
Procurava os rebentos nas árvores que não brotavam, flores que teimosamente não se abriam...
Zuniam perdidos os insectos, os animais, deambulavam ausentes entre campos de aspecto recolhido...
Visto o horizonte, toda a terra apresentava um tom cinza, uma palidez suspensa...
Perguntei as plantas e aos seres da natureza o que estava a acontecer? Mas a resposta, eu não conseguia compreender. Murmuravam adormecidos...
Sentei me com eles a aguardar qualquer alteração, e também eu, comecei a adormecer a entregar-me ao comum estado letárgico...
Até que senti uma mão que se aproximava , não apenas de mim, mas de todos nós que partilhávamos a dormência.
Os pássaros, os insectos, as plantas, os homens, os bichos de todo o mundo, os rios que pouco a pouco se transformavam em lagos, tudo que parara...
Quando finalmente nos atingiu, sacudiu com violência! Ouviram-se trovões. Rasgou-se a terra. Galgou as fronteiras o mar. Ergueram-se montanhas em espasmo. Expandiu-se ao poço mais fundo o céu....
E no fim... no local mais fértil... no local mais profundo de todos nós... essa mão! Gentilmente colocou uma semente...
Trazia um sorriso, trazia um olhar, trazia alegria, trazia uma vida...
As flores abriram...
Os pássaros cantaram...
As crianças sorriram...
Para que cada momento da vida, nunca tenha um fim...
Para que eternamente sejamos todos, um!
Bicho
Procurava os rebentos nas árvores que não brotavam, flores que teimosamente não se abriam...
Zuniam perdidos os insectos, os animais, deambulavam ausentes entre campos de aspecto recolhido...
Visto o horizonte, toda a terra apresentava um tom cinza, uma palidez suspensa...
Perguntei as plantas e aos seres da natureza o que estava a acontecer? Mas a resposta, eu não conseguia compreender. Murmuravam adormecidos...
Sentei me com eles a aguardar qualquer alteração, e também eu, comecei a adormecer a entregar-me ao comum estado letárgico...
Até que senti uma mão que se aproximava , não apenas de mim, mas de todos nós que partilhávamos a dormência.
Os pássaros, os insectos, as plantas, os homens, os bichos de todo o mundo, os rios que pouco a pouco se transformavam em lagos, tudo que parara...
Quando finalmente nos atingiu, sacudiu com violência! Ouviram-se trovões. Rasgou-se a terra. Galgou as fronteiras o mar. Ergueram-se montanhas em espasmo. Expandiu-se ao poço mais fundo o céu....
E no fim... no local mais fértil... no local mais profundo de todos nós... essa mão! Gentilmente colocou uma semente...
Trazia um sorriso, trazia um olhar, trazia alegria, trazia uma vida...
As flores abriram...
Os pássaros cantaram...
As crianças sorriram...
Para que cada momento da vida, nunca tenha um fim...
Para que eternamente sejamos todos, um!
Bicho
sexta-feira, 21 de junho de 2013
homem, assim! com letra pequena
Caminhava na cidade, sem um destino definido.
Contudo... A cada esquina, cruzamento, encruzilhada que encontrava não duvidava no sentido que deveria tomar.
Até que cheguei a um largo, com algumas árvores já de longa idade, era atravessado por uma estrada que apesar de pouco circulada, cortava o uso que o largo teria inicialmente...
É frequente nas cidades, encontrar situações idênticas, resultado da evolução da mesma, diz me muitas vezes o Ibrahim... Fico sempre com a sensação de um espaço amputado!
De um lado, elevado por uns degraus, um edifico mais alto que todos o que circundavam, duas torres ocas, onde a cada intervalo ressoam badaladas, avisando os homens, que a sua vida aqui é apenas passageira, um mero processo temporal. Um edifício construído para o culto, por forma a honrar e a glorificar o desconhecimento dos homens. Presos na ignorância material construíram no com materiais nunca exigidos...
Do outro, casas de uma janela e porta só. Algumas com acrescentos, facilmente definidos pelo tipo de construção...
Numa dessas portas, encontrava-se um homem... sim, com letra pequena, assim me pediu ele! Quando lhe perguntei o nome, respondeu-me: meu nome? é homem, simplesmente! sem letras grandes...
Momento de perplexidade para mim! Ou eu estava a falar a língua dos homens, ou este homem, falava como nós bichos, sem palavras... A verdade é que a comunicação foi feita sem eu nunca conseguir compreender como esta se estava a dar....
Perguntei-lhe quem era? Como tinha chegado até aqui?
O homem de cabelos negros, compridos, sujos, amarfanhados, confundiam-se com a sua barba cujos os longos pelos se misturavam entre a sua túnica de cor de terra, suja ou gasta de vários caminhos...
Desenrolou parte da túnica enrolando-a junto à cinta para que os seus movimentos ficassem mais livres e enquanto sorria, chorava e dançava, cantou assim:
"foi num dia de festa, como hoje...
uma festa!
hoje é dia de festa... quando imensos se emanam em continuidade, recordaram a sua ligação, de como o mistério se desenvolveu, de como partícula, átomo, ínfima coisa, vazio do nada, molécula do todo... somos criados e de como partícula nos gerou!
esse acto... altruísmo, puro acaso...
superior ao sentimento... qual amor? ódio! loucura ou insanidade, a nenhum lhe pertence!
faísca de vida apenas...
terá sido ontem?
talvez há algum tempo mais...
não pela distancia da minha recordação, mas pela evidencia dos factos.
o tamanho, o crescimento! a contabilização da minha existência na repetição dos ciclos...
recordo... revivo, como se do presente se tratasse...
como pudesse eu recordar! se nem da mesma matéria provenho, se de outra explosão sou gerado...
sou criado em mim, sonhado, vivido agora, simplesmente ser, eis... sou!
uma só partícula, imensa, reduzida a nada, um ponto infinito de todo.
nasce em mim meu pai, sente-me como te sinto, tal como somos, uma só partícula, continuada...
nasce em mim minha mãe, sente-me como te sinto, tal como somos, uma só partícula, continuada...
nasce em mim meu irmão, sente-me...
nasce em mim...
deixa me ser tu, e ele, e ela, e ser todos em mim, que a minha existência seja tua e que eu exista em ti.
nasce em mim para que de ti eu nasça.
sejamos o que sou, uma só partícula, acto, ínfima coisa...
vazio do nada...
molécula do todo..."
e os sinos ecoaram por toda a praça, reflexo da minha partilha humana, olhei para as torres confirmando a contabilização do tempo...
Bicho
Contudo... A cada esquina, cruzamento, encruzilhada que encontrava não duvidava no sentido que deveria tomar.
Até que cheguei a um largo, com algumas árvores já de longa idade, era atravessado por uma estrada que apesar de pouco circulada, cortava o uso que o largo teria inicialmente...
É frequente nas cidades, encontrar situações idênticas, resultado da evolução da mesma, diz me muitas vezes o Ibrahim... Fico sempre com a sensação de um espaço amputado!
De um lado, elevado por uns degraus, um edifico mais alto que todos o que circundavam, duas torres ocas, onde a cada intervalo ressoam badaladas, avisando os homens, que a sua vida aqui é apenas passageira, um mero processo temporal. Um edifício construído para o culto, por forma a honrar e a glorificar o desconhecimento dos homens. Presos na ignorância material construíram no com materiais nunca exigidos...
Do outro, casas de uma janela e porta só. Algumas com acrescentos, facilmente definidos pelo tipo de construção...
Numa dessas portas, encontrava-se um homem... sim, com letra pequena, assim me pediu ele! Quando lhe perguntei o nome, respondeu-me: meu nome? é homem, simplesmente! sem letras grandes...
Momento de perplexidade para mim! Ou eu estava a falar a língua dos homens, ou este homem, falava como nós bichos, sem palavras... A verdade é que a comunicação foi feita sem eu nunca conseguir compreender como esta se estava a dar....
Perguntei-lhe quem era? Como tinha chegado até aqui?
O homem de cabelos negros, compridos, sujos, amarfanhados, confundiam-se com a sua barba cujos os longos pelos se misturavam entre a sua túnica de cor de terra, suja ou gasta de vários caminhos...
Desenrolou parte da túnica enrolando-a junto à cinta para que os seus movimentos ficassem mais livres e enquanto sorria, chorava e dançava, cantou assim:
"foi num dia de festa, como hoje...
uma festa!
hoje é dia de festa... quando imensos se emanam em continuidade, recordaram a sua ligação, de como o mistério se desenvolveu, de como partícula, átomo, ínfima coisa, vazio do nada, molécula do todo... somos criados e de como partícula nos gerou!
esse acto... altruísmo, puro acaso...
superior ao sentimento... qual amor? ódio! loucura ou insanidade, a nenhum lhe pertence!
faísca de vida apenas...
terá sido ontem?
talvez há algum tempo mais...
não pela distancia da minha recordação, mas pela evidencia dos factos.
o tamanho, o crescimento! a contabilização da minha existência na repetição dos ciclos...
recordo... revivo, como se do presente se tratasse...
como pudesse eu recordar! se nem da mesma matéria provenho, se de outra explosão sou gerado...
sou criado em mim, sonhado, vivido agora, simplesmente ser, eis... sou!
uma só partícula, imensa, reduzida a nada, um ponto infinito de todo.
nasce em mim meu pai, sente-me como te sinto, tal como somos, uma só partícula, continuada...
nasce em mim minha mãe, sente-me como te sinto, tal como somos, uma só partícula, continuada...
nasce em mim meu irmão, sente-me...
nasce em mim...
deixa me ser tu, e ele, e ela, e ser todos em mim, que a minha existência seja tua e que eu exista em ti.
nasce em mim para que de ti eu nasça.
sejamos o que sou, uma só partícula, acto, ínfima coisa...
vazio do nada...
molécula do todo..."
e os sinos ecoaram por toda a praça, reflexo da minha partilha humana, olhei para as torres confirmando a contabilização do tempo...
Bicho
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Esta luz, tão cheia de cores!
Os amigos do Ibrahim, são também meus amigos, nem de outra forma poderia ser! Ontem, jantamos com o Gabriel, um amigo de longa data! Durante o jantar, o Ibrahim, falava dos seu amor e dos seus sentimentos por uma rapariga... Mas, no entretanto, caímos em assuntos mundanos e jantado que estava, resolvi dormir! A determinada altura estava eu já em bola, num canto da sala, quando fui acordado por um amarfanhado de papel, atirado contra mim! Levantei-me em sobressalto! O Ibrahim tinha saído da sala, e o Gabriel, encostou o dedo aos lábios e assobiou um shiu... - "Guarda! Dá o depois ao Ibrahim, escrevi-o agora... Melhor! Podes até por no teu 'Caminho'... " e piscou me um olho enquanto sorria. O Ibrahim entrou... Percebendo alguma cumplicidade, sorriu e perguntou: O que estão vocês a preparar? Meti-me em bola novamente, que ele lê as minhas expressões, não lhas sei esconder!
Tal como prometido Gabriel, aqui fica:
Enquanto fugia... dos sentimentos de voo, daquele momento em que a flecha nos acerta, em que o coração que sangra ocupa todo o corpo, sem nunca se esvaziar...
Ao contrario... da sua ferida, o sangue brotado, ramifica em todos os órgãos e batem como um só... E o todo que somos, é um só coração, e pulsa...
E exige e quer! Ferido de alegria e vontade...
Obriga! Coloca-nos asas sonhadoras, sem o controle das mesmas, elevamos à procura do astro que nos ilumina!
Ascendemos feito Ícaros fascinados pela beleza, pela luz...
Mas... Talvez com medo da vertigem... da irracionalidade... Das anteriores quedas provocadas pela fé!
Fugia..
Remeti-me à espera da confirmação, qual o sentimento...
A paixão que morra!
Morre paixão!
Não te quero em mim! Sai das minhas veias. Larga o meu corpo. Deixa-me fazer as minhas escolhas! Porque te intrometes pequeno arqueiro! Deixa-me...
E lutei no voo...
Agarrei-me! Lancei ancoras e tudo o mais que podia para travar a ascensão, mas... Fui voando!
Lutei com os ventos, tentei lançar-me em queda...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Até que de tanto lutar, finalmente domei as asas! Tornei-me dono de mim! Pousei lentamente...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Caminhei dois passos em sua direcção...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Abri as asas em toda a sua envergadura, bati-as levemente, elevei-me apenas uns metros do chão...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Fiz a escolha! Senti o sangue que acalmara a jorrar novamente, mas por vontade, a tomar conta de mim, e todo eu, a escolha e o destino, voamos sem medo, sem querer deixar de olhar para luz, cada vez mais brilhante... tão cheia de cores!
Gabriel da Fonseca »
Fiquei com pena de ter adormecido, gostaria de ter ouvido toda a conversa!
Bicho
Tal como prometido Gabriel, aqui fica:
«Esta luz, tão cheia de cores!
Enquanto fugia... dos sentimentos de voo, daquele momento em que a flecha nos acerta, em que o coração que sangra ocupa todo o corpo, sem nunca se esvaziar...
Ao contrario... da sua ferida, o sangue brotado, ramifica em todos os órgãos e batem como um só... E o todo que somos, é um só coração, e pulsa...
E exige e quer! Ferido de alegria e vontade...
Obriga! Coloca-nos asas sonhadoras, sem o controle das mesmas, elevamos à procura do astro que nos ilumina!
Ascendemos feito Ícaros fascinados pela beleza, pela luz...
Mas... Talvez com medo da vertigem... da irracionalidade... Das anteriores quedas provocadas pela fé!
Fugia..
Remeti-me à espera da confirmação, qual o sentimento...
A paixão que morra!
Morre paixão!
Não te quero em mim! Sai das minhas veias. Larga o meu corpo. Deixa-me fazer as minhas escolhas! Porque te intrometes pequeno arqueiro! Deixa-me...
E lutei no voo...
Agarrei-me! Lancei ancoras e tudo o mais que podia para travar a ascensão, mas... Fui voando!
Lutei com os ventos, tentei lançar-me em queda...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Até que de tanto lutar, finalmente domei as asas! Tornei-me dono de mim! Pousei lentamente...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Caminhei dois passos em sua direcção...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Abri as asas em toda a sua envergadura, bati-as levemente, elevei-me apenas uns metros do chão...
Sem nunca conseguir deixar de olhar para a luz, cada vez mais brilhante!
Fiz a escolha! Senti o sangue que acalmara a jorrar novamente, mas por vontade, a tomar conta de mim, e todo eu, a escolha e o destino, voamos sem medo, sem querer deixar de olhar para luz, cada vez mais brilhante... tão cheia de cores!
Gabriel da Fonseca »
Fiquei com pena de ter adormecido, gostaria de ter ouvido toda a conversa!
Bicho
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