domingo, 8 de setembro de 2013

Asas de luz

Hoje vi!
 Já o tinha vivido através de outros Bichos...
À minha frente, um homem, comum, igual a tantos outros homens, caiu em dor, gritava-lhe a alma, cansado que estava de tanta fé.
Um raio atravessou-lhe o torso, entrou pelas costas e deixou o rasgado, caído, inerte, corpo vencido sobre os joelhos pousados no chão...
Um só grito, seco e o fim!
Sem vida, sem respiração, sem nada que demonstrasse a existência de futuro...
Mas de súbito, o som da corneta a ocupar todos os ruídos existentes e uma bola em fogo, vinda do nada, tomou o seu corpo, como se os deuses o reclamassem, pensei!
No fim da luz, o homem levantou-se, ainda com a marca do raio que o rasgara, sorriu perante todos, elevou um dedo em riste até aos lábios, pediu silencio sem dizer uma palavra. Sorriu e fez chorar todos os presentes de felicidade. Abriu as asas que escondia, soltou a luz que continha, o seu rosto perdeu a forma que o diferenciava e todos os presentes éramos em simultâneo esse anjo que se revelava.
E o milagre, só assim o poderei descrever, absorveu as nossas dores e num bater de asas curou todos os presentes da vida e do amor.
Homens e mulheres choravam lavados, enquanto o milagre ascendia, aqueles que, agora curados, lacrimejavam como crianças, limpas de culpa, remorsos, lamentações, raivas, invejas... Olharam-se como seres novos, despediram-se como irmãos, seguiram os seus caminhos!
E eu, Bicho, ao ver tal milagre, de incondicional amor, choro ainda a alegria, de o ter vivido...

Bicho

1 comentário:

  1. Acompanhei todas os sons dos Bicho. A minha respiração contorceu-se por não poder respirar com ele. Azulei por instantes entre a morte que me parecia eminente e a vida que ainda se faz esperar. Ela espera sempre, mesmo que o Bicho não queira. Olhei em redor, vi a frescura que exalava de outros bichos de outros regatos. Contive-me para não chorar com a
    agua que procurava cantar no meu silêncio. O Bicho olhou para mim, agarrou-me as mãos e agradeceu a dádiva do Amor. E o que era raiva, transformava-se agora numa sarça onde ardiam as rosas que enchem a minhas mãos.
    A ternura num grande abraço!

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